Aipan
29/05/2012 às 10:27h
Apenas os céticos não querem perceber que estão ocorrendo mudanças climáticas relevantes em todo o planeta e que este assunto estará obrigatoriamente na agenda do século XXI. Segundo Relatório da década 2001-2010 sobre o Clima Mundial da OMN (Organização Meteorológica Mundial) - agência da ONU - esta primeira década do século foi a mais quente desde 1850. Artigos publicados em fevereiro de 2011, pela revista científica Nature, concluem que a ação humana também provoca o aquecimento global e está ligada a fenômenos meteorológicos extremos como o aumento de chuvas, enchentes, secas e nevascas. Uma grande pergunta se coloca: de que maneira poderemos exigir que pessoas e instituições ajam de forma responsável em relação ao meio ambiente? Com relação ao Brasil, se observarmos atentamente a conjuntura econômica veremos que na divisão internacional do trabalho, especialmente nas últimas duas décadas, ficou destinado ao nosso país o papel de exportador de commodities agrícolas, minerais e energéticos. A recente entrada da China no mercado internacional se por um lado propicia a valorização deste tipo de commodities, por outro lado causa pressão totalmente insustentável sobre a utilização de recursos naturais. Será que sentiremos saudades da relação colonial que tínhamos com a Europa se não forem tomadas as precauções necessárias? Enquanto isto, às vésperas do encontro Rio + 20, estamos assistindo a um enorme retrocesso nos assuntos que envolvem a área ambiental. A maneira rasteira como estão sendo negociados os termos do novo Código Florestal, um código fundamental para o país, deixa preocupados e entristecidos a todos que possuem consciência ecológica. Certamente não atende aos interesses da população brasileira, mas tão somente aos grandes desmatadores e jogadores do agronegócio. Resta a esperança de que a Presidente Dilma Roussef, coerente com os seus discursos, vete todos os excessos. Em janeiro deste ano, durante sua participação em fórum na cidade de Porto Alegre, a mesma reiterou a importância de associar o crescimento brasileiro à sustentabilidade e à redução das desigualdades. Ironicamente, a idéia inicial deste texto era a de tecer comentários sobre um livro que tive recentemente a oportunidade de ler e que, entre outras coisas, ressalta a importância da atuação dos políticos na questão de mudanças climáticas. O livro A Política da Mudança Climática, de autoria do pensador social Anthony Giddens, publicado no Brasil pela Editora Zahar, mostra, entre outros assuntos, como as questões econômicas e geopolíticas estão intimamente ligadas aos problemas ecológicos e os riscos da competição por vantagens econômicas e recursos naturais. Giddens não é ambientalista, mas deixa destacado em sua obra que o setor é importante fonte de reflexão sobre os objetivos da luta contra a mudança climática. Mais ainda, o autor aborda a questão das mudanças climáticas como um problema político.Ressalta que as capacidades políticas nacionais e internacionais serão fundamentais (?) para lidarmos com este problema que ainda irá trazer muito sofrimento humano num planeta que brevemente estará ocupado por nove bilhões de pessoas. Por:Jorge Aragão Associado da AIPAN