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Crise brasileira: o futuro imediato

Sergio Pires

31/05/2016 às 14:26h

Consolidado o golpe dado pela elite econômica brasileira, destituindo, mesmo que ainda de forma provisória, a presidente da República e colocando em seu lugar o vice-presidente Michel Temer, que constituiu um ministério que oscila entre o conservador e o reacionário,  a pergunta que se apresenta é quais serão as etapas imediatas do processo, isso ficará congelado assim ou outras alternativas surgirão?
Embora deseje e, na medida das limitadíssimas possibilidades de ação, me junte aos que militam para a absolvição da presidente Dilma no julgamento final do processo de impeachment no Senado, não acredito em revisão da votação inicial. Acho que os 55 votos condenatórios serão mantidos até com aumento, embora de forma contrária às provas carreadas aos autos. Dilma já faz parte da história brasileira: houve há um tempo um golpe sujo contra uma pessoa política honrada.

A questão da ordem do dia, portanto, é se Temer se sustentará ou não na presidência da República. Como ele não tem a legitimidade do voto, sua legitimação se dará ou não pelo desempenho na Presidência e pela habilidade em esconder do grande público a real face de seu governo. Sua primeira prova já ocorreu. Apesar dos sobressaltos cotidianos, ele e sua tropa se aboletaram por completo na estrutura governamental, algo aparentemente fácil para a maioria deles, acostumados há décadas a servirem a qualquer governo, atentos tão-somente ao interesse próprio e da oligarquia secular. 

Ingressou este governo na sua segunda etapa, que irá até o dia do julgamento final de Dilma no Senado. Segundo o cronograma até agora apresentado, em meados de agosto haverá o deslinde final do processo de impeachment. Temer tentará o máximo possível contentar até então gregos e troianos, falando em ajuste fiscal com preservação dos programas sociais e coisas do gênero. Nenhuma medida mais radical será tomada até este fatídico dia em que tudo estará consumado em relação à Dilma. 

Somente após é que ele iniciará de forma definitiva seu governo, realizando aquilo que for necessário para pagar a conta para com os que o levaram até o Palácio do Planalto. E esta fatura com certeza não é pequena. É do tamanho da ganância das poderosas forças que foram contrariadas (em pequena parte apenas) durante os governos do PT. O script se encerra com a eleição do sucessor em 2018. Se os ventos forem inteiramente favoráveis, no início de 2019, Temer passará a faixa presidencial a Geraldo Alkmin ou alguém deste perfil político. O medo da condenação do Tribunal da história não chegará a inibir o culto ao pragmatismo de Temer e seu elenco.

Só falta combinar com os russos. Neste caso, com os próprios (incomodados com os interesses do grupo  BRiCS), com os que professam a cultura eslava desde os tempos da URSS e, principalmente, com um conjunto significativo de novos e decididos descontentes que estão a fim de escrever uma significativa página de protesto, nem que seja no alfabeto cirílico.






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