Publicidade

Assine o HoraHAnuncie no HoraH


Importação de Loucos

Sergio Pires

11/06/2016 às 23:16h

IMPORTAÇÃO DE LOUCOS

 

Ao atentar para o desenvolvimento do campeonato brasileiro, provisoriamente liderado pelos times gaúchos, verifiquei algo peculiar: um grande número de treinadores estrangeiros dirigindo times da primeira divisão do futebol. Em especial, os castelhanos estão aqui fazendo escola no futebol. Mas o incrível mesmo é a importação de treinadores portugueses, caso dos técnicos atuais do Atlético e do América mineiros.

No ditado antigo, de médicos e loucos todos temos um pouco. Isso foi atualizado para a realidade mais recente, acrescentando-se a capacidade infinita dos brasileiros de palpitar em política e futebol. E assim ficou: de louco, médico, analista de futebol e política todos nós brasileiros temos um pouco.

Pois vejo que esta máxima está agora sendo contestada pelos fatos. Ao ponto de estarmos importando médicos e treinadores de futebol.

O programa mais médicos, grande sacada do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha,  foi um golpe profundo no sistema viciado de cartelização dos profissionais da medicina. Por isso mesmo, praticamente cem por cento dos médicos se colocam contra o programa, por puro corporativismo e não por zelo à qualidade do serviço prestado, como querem fazer o simples mortal engolir.

Não sei quando é que haverá a revolta contra os profissionais do futebol estrangeiros. Afinal, haverá espaço para alegar um contrassenso nessa dinâmica, já que somos o país que mais exporta jogadores de futebol.  Talvez o trauma do 7 a 1 da Alemanha, quase que por inteiro atribuído ao treinador tupiniquim Felipe Scolari, tenha impedido um levante imediato. Mas logo teremos mais este assunto a ocupar a pauta da mídia especializada.

Claro que a mídia não fará sua autocrítica. Nem nos esportes, muito menos na política. Continuará achando que errados estão os analistas internacionais que ridicularizam nossa organização esportiva e a maneira com que pretendemos sustentar perante o mundo uma peculiar forma de democracia na qual valem mais os votos de 367 picaretas golpistas do que  54 milhões de votos depositados pelos eleitores de todo país numa eleição nacional chamada em segundo turno. Inclusive, não faltará a algum luminar do governo Temer tipificar como contrabando a vinda de críticos internacionais ao Brasil.

Enfim, talvez reste espaço para a importação de loucos, que sequer seriam notados em nossa insana realidade. 






  • ACI LATERAL SECUNDARIAS