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A violência pós-moderna

Sergio Pires

21/06/2016 às 12:10h

Um evento terrível redundou na morte de 50 pessoas dentro de uma boate na cidade de Orlando, estado da Flórida, costa leste dos EUA.  Um homem portando um fuzil e uma pistola, ambos de alto calibre e arrocho tecnológico, simplesmente investiu contra cerca de 300 pessoas que frequentavam o local na madrugada de 12 de junho, na noite de sábado para domingo.O pretexto registrado pelo atirador para cometer o massacre foi solidariedade ao Estado Islâmico(grupo político que barbariza na região do Oriente Médio supostamente em nome de fundamentos religiosos) e repulsa à opção sexual dos frequentadores da casa noturna, destinada ao público gay. 
Nem de longe é a primeira vez que massacres como este acontecem nos EUA. Já ocorreram os mais dramáticos atentados desta natureza nos últimos anos naquele País. Os locais escolhidos para este tipo de crime apenas apresentam um requisito fundamental: concentração de pessoas. Já houve atentado em estação de metrô, escola, universidade, hospital, parque de diversão etc. Os atiradores são brancos ou negros; jovens ou veteranos; americanos natos, naturalizados ou estrangeiros; nada os identifica, senão o próprio desvio de conduta. Portanto, o fato desta matança acontecer em ambiente, digamos assim, heterodoxo e invocar motivação ligada à questão do fundamentalismo muçulmano, parece ser algo tão-só circunstancial.
Isso leva a muitos concluíram que estamos diante de fenômenos sem precedentes na história universal da violência. É consagrado que o ser humano é mais violento de todos os animais. Mas a brutalidade costumava ser enquadrada dentro de três tipos ideais: insanidade pura;desvio sexual; busca de objetivos definidos racionalmente. Ou seja, o protagonista da violência absoluta era louco, sádico ou psicopata. Ou uma mistura das três coisas. Mas, e isso é importante, protótipos humanos cognoscíveis, isto é, com protótipos compreensíveis pela ciência moderna. 
Nesta mortandade,trololó acerca de gays e fanatismo religioso é apenas explicação necessária para iludir nossa infantil racionalidade. O absurdo dos massacres seriados ocorridos no território da nação mais desenvolvida economicamente do planeta traz a marca da denominada violência pós-moderna, composta de um sentido jamais visto ou imaginado pela cultura moderna. A violência como manifestação estética ou antológica. Algo assim como o ser hegeliano se reconhecendo por inteiro, no momento culminante do saber absoluto, ou explodindo em pura vontade de potência, como alertara Nietzsche. 






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