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Graciosa Contradição

Bruno

23/06/2016 às 12:40h

 

Nestes dias frios e gelados aqui pelo sul do Brasil, nada como uma comida bem calórica. Dizem que o corpo precisa de mais calorias para manter-se aquecido no inverno. Ou quem sabe seja apenas uma desculpa para deliciar-se com o chocolate quente, foundue, lasanha com molho branco ou para fartar-se com aquela macarronada ao molho de frango com uma montanha de queijo ralado. Sabe, estas comidas que pesam no estômago e na consciência. Especialmente daqueles que, lá no verão, irão martirizar-se pelas delicias do inverno. E pelos números a mais na balança. Contradições do inverno.

 

Nestes dias frios e gelados, nada como vestir-se bem. Roupas quentes e belas. Os casacões, blusões, gorros, luvas e cachecóis. O inverno inspira a ser faschion. Mas aí lembro daqueles que andam pelas ruas com moletons finos, chinelo de dedo e corpo encolhido. Não porque assim querem, mas porque é tudo o que têm. Contradições do inverno. Que pode até acontecer na taça de vinho. Bela, deliciosa e aquecedora. Ou veneno e tentação para os que lutam para evitar novamente o primeiro gole. Contradições do inverno. Tão contraditório quanto o frio que proporciona um amanhecer belo, com campos brancos de geada e crianças com bronquite, tosses e nebulizações. Como é aqui em casa.

 

Fico pensando em uma graciosa contradição. Imagino que alguns sonham e imaginam um Deus que está presente apenas na alegria e na felicidade. Quando tudo dá certo! Quando os sonhos se realizam! E aí vem um Deus com uma contradição desconcertante. Que veio ao mundo em uma estrebaria improvisada, longe de berços aconchegantes. Que cuidou dos que eram desprezados, esquecidos e rejeitados pela sociedade. Que tocava naqueles que ninguém queria tocar. Jesus é Deus de uma graciosa contradição. É Deus presente também quando a vida não dá certo, quando os sonhos não se realizam, quando as frustrações acontecem, quando a culpa tira o gosto da vida. Até diria que é presente principalmente nestes momentos. Este mesmo Jesus sublinhou esta contradição:  “Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas. Felizes as pessoas que choram, pois Deus as consolará” (Mateus 5.3-4). Felizes os que estão chorando. Felizes os que sabem que são pobres e fracos. Felizes! Sim, felizes! Porque neles está o foco do amor e o perdão de um Deus cheio de graciosa contradição: Jesus, Deus que ama o pecador.

 

Então fica a dica: glórias a Deus por sua graciosa contradição! Por ele estar presente quando todos acham que ele não está! Por ele perdoar quando todos acham que não haverá perdão! Por ele ir ao encontro daqueles que foram esquecidos. Deus na cruz é a maior contradição da história da humanidade. E foi por amor. Foi por você, foi por mim. Deus que continuou a contradição ao permanecer vivo, mesmo depois de morto. Ele ressuscitou. E quer nos amar em nossas contradições. Não só as do inverno, mas de toda a vida.






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