Publicidade

Anuncie no HoraHAssine o HoraH


O GOLPE PÓS-MODERNO

Sergio Pires

28/08/2016 às 17:53h

O GOLPE PÓS-MODERNO

O GOLPE PÓS-MODERNO

 

No momento em que escrevo aproxima-se a hora derradeira de julgamento final do impedimento da presidente Dilma Rousseff. Não há dúvidas de que o Senado acolherá a acusação de que ela cometeu crime de responsabilidade, numa das páginas mais cínicas da vida institucional brasileira.

É impressionante que mais de 2/3 (os acólitos de Temer afirmam terem “na mão” o voto de mais de 60 senadores) da Casa Legislativa mais solene da República se renda ao pragmatismo rasteiro e não atente para o que de perene ficará do decido neste momento. Quando se verifica o nível em que chegou o “colégio de anciões”, a “reserva de serenidade” da nação, percebe-se o quanto será difícil a obrigatória retomada do caminho em busca de uma sociedade justa e solidária em nosso território.

Mas é evidente que nosso parlamento maior não poderia se distinguir em muito da visão de mundo do restante da elite que dirige o país. Sem sombra de dúvidas, a maioria deste segmento está em consonância com a violência que se perpetra contra aquela que talvez tenha sido a autoridade máxima da nação que mais se manteve dentro dos princípios da ética e da moralidade administrativa em todos os tempos da nossa história.

Nunca é demais registrar que os fatos atribuídos a Dilma foram praticados por todos os últimos chefes de governo e continuam a ser praticados pelo presidente interino. Sendo que a jurisprudência anterior, inclusive do Tribunal de Contas da União, tolerava tais condutas e, agora, continua a tolerar em casos análogos que estão a acontecer. Apenas se mudou cirurgicamente a interpretação nos últimos anos de governo da presidente afastada.

“Aos indiferentes, a lei; aos amigos, a brandura da lei; aos inimigos, os rigores da lei”, eis a máxima do farisaísmo fascista. Ela foi assumida em larga medida em muitos escalões das estruturas jurídicas brasileiras, para que, com o manejo capcioso da lei (suprema ironia), se produzisse um golpe de estado digno da era pós-moderna.

O golpe está consumado. Ele só aparenta pertencer à vida virtual. Seus efeitos dolorosos serão sentidos por muito tempo pelos pobres e oprimidos que se mantém atolados na nossa dura realidade.

Mas vale o alerta: a História não acabou. E não será a sala de redação da Globo ou da Veja que escreverá a crònica definitva desses dias, mas a massa intelectual crítica dos centros mundiais de análise, que, como bem demonstrou a recente declaração do filósofo Jürgen Habermas, costuma vislumbrar muito além da “zona mista” onde as vivandeiras e leguleios promovem seu infame sabá pós-moderno.






  • ACI LATERAL SECUNDARIAS