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Novas batalhas da velha luta de classes

Sergio Pires

17/09/2016 às 13:40h

Novas batalhas da velha luta de classes

Novas batalhas da velha luta de classes

 

O País está em guerra. Poucos percebem a profundidade do que está em curso acompanhando a superficialidade tratada pela grande mídia, que de resto integra um dos lados da contenda. Mas quem mergulhar de forma radical na situação brasileira perceberá um avanço espetacular das foças conservadoras e reacionárias em detrimento daquilo que a humanidade consagrou como progressista ou civilizatório.

 

A denúncia apresentada por alguns procuradores federais vinculados à denominada Operação Lava Jato ficará na história como uma das grandes batalhas do conflito. Com centenas de pessoas envolvidas exclusivamente na produção da peça acusatória, a equipe chefiada pelo procurador da República Deltan Dallagnol preparou-se para este momento de combate com enorme afinco e determinação. Afinal, o alvo-mãe, do conflito do ponto de vista dos conservadores, foi atacado. A ideia é absolutamente simples como costumam ser as vitoriosas: reduzir jurídica e politicamente Lula a pó.

 

Outros dois momentos anteriores, preparados com cuidado para produzir grande impacto logístico e estratégico serviram de precedente para a operação da última quarta-feira. Falo da “condução forçada de Lula” de determinada pelo juiz federal Sergio Moro e, também de lavra deste magistrado, a divulgação para imprensa de uma gravação entre a então presidente da República Dilma e o ex-presidente Lula. Esses ataques anteriores foram arrasadores, responsáveis em larga medida pelo sucesso do impeachment, que alguns aqui no país e muitos na comunidade internacional insistem em chamar de golpe.

 

Sob o ponto de vista dos propósitos dos conservadores, dos quais os meninos do Ministério Público Federal são apenas soldados, a peça acusatória apresentada com roupagem tecnológica que imita o estilo guerra nas estrelas em voga nas apresentações do Pentágono e da OTAN é perfeita: prolixa, repetitiva, difusa e aberta. Serve para tudo, menos para determinar os limites da defesa. Como não será lida por completo e com atenção por quase ninguém afora as partes (são 150 páginas, somente o texto principal, acompanhadas de um interminável conjunto de documentos em anexo), cumprirá um papel ideal de criminalizar o ex-presidente na consciência do povo brasileiro. Houve espaço até para pilhérias sub-reptícias no estilo little boy: 13 procuradores assinaram a petição.

 

Agora é esperar o impacto completo da operação e preparar-se para o rescaldo. O alvo certamente reagirá enquanto puder manusear sua arma favorita: o uso do verbo para comparar sua trajetória com a dos adversários do passado e do presente. Ainda um que outro sobrevivente do exército da esquerda resistirá aqui e acolá e tentará produzir um ataque em retaliação. A que tempo, a que custo e com que impacto ainda veremos.

 

Eu me inscrevi voluntariamente entre os que resistirão aos ataques dos reacionários, sejam militares, civis, eclesiásticos et alii. Para começar, enquanto eu viver hei de repetir com tranquilidade, determinação e convicção: canalhas!

 






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