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Por quem os sinos dobram

Sergio Pires

08/04/2017 às 10:30h

Por quem os sinos dobram

Sempre que se inicia ou se intensifica uma guerra a humanidade perde. Por isso, os últimos dias são de pesar pela escalada de barbárie no já longo e sangrento conflito sírio.

Inicialmente, recai uma acusação séria sobre as forças leais a Bashar Al-Assad, o chefe do resistente governo oficial sírio, de usarem armas químicas nos ataques aos rebeldes. Esta acusação já havia sido feita em outras ocasiões desencadeando sempre revolta retórica da maioria das nações.

Há evidências, segundo o relato da imprensa internacional – longe de ser confiável – do uso de armas químicas em batalha recente, mas não há clareza de quem efetivamente foi o responsável pela utilização do material banido pelos acordos internacionais.

É difícil acreditar que o centro de governo, diretamente Bashar Al-Assad, tenha determinado ou autorizado tal coisa, não por princípios humanitários, mas pelo medo pragmático das retaliações das grandes potências.

Por questões estratégicas da geopolítica mundial, Al-Assad conta com o apoio de três importantes países: Rússia, Irã e China. O Irã proporciona ao governo sírio uma canal de contato com o mundo islâmico, de onde vem, aliás, via Arábia Saudita e Catar, a mais terrível das forças de oposição, o Estado Islâmico. A Rússia, que hoje praticamente tutela o governo sírio, e a China garantem armas, informações e respaldo diplomático. Membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, as potências nucleares da Ásia, têm na prática o poder de vida ou morte sobre Al-Assad e seu regime, pois, com o seu ok, os EUA varreriam do mapa as forças de Al-Assad em curtíssimo tempo.

Até quando haverá na região equilíbrio entre os extremos de horrores, é algo que os interesses das superpotências ditará. Os iranianos lutam por ideologia e pela própria sobrevivência, mas Rússia e China têm a Síria como uma moeda de troca para obtenção de vantagens do gigante americano.

Da mesma forma, o governo norte-americano, como bem desenhou Donald Trump durante a campanha e logo após sua vitória, só se move pelos seus próprios interesses. E a guerra, qualquer guerra, em qualquer lugar e a qualquer tempo, interessa em muito para a indústria armamentista dos EUA. A indústria bélica é o maior negócio americano. Os EUA são, muito além de qualquer outro concorrente, o maior produtor e consumidor de armas do mundo. E produto final das armas é a morte.

O presente hello babies de Trump na Síria foi apenas a sua entrada no tétrico espetáculo que será longo, grandioso e mortal, mas rendoso.

A nós, assistentes da periferia do mundo, resta a pergunta a cada novo bombardeio: Por quem os sinos agora dobram? A resposta já foi escrita pelo poeta John Donne e secularizada por Hemingway: Nunca procures saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.

 






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