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SE HOUVER ELEIÇÃO

Sergio Pires

26/11/2017 às 13:40h

SE HOUVER ELEIÇÃO

Apresenta-se confuso o cenário eleitoral para a Presidência da República a pouco mais de 10 meses do primeiro turno da eleição. Conforme reza o art. 77 da Constituição, será realizado o primeiro turno da eleição presidencial no primeiro domingo de outubro de 2018 e o segundo, caso se faça necessário, no último domingo do mesmo mês.

A falta de definição de nomes incontestes para pontear a disputa levou a uma fragmentação dos dois principais blocos que disputam o eleitorado brasileiro. Algo em algum aspecto semelhante a 1989, quando tivemos a primeira disputa democrática após o longo período ditatorial.

O bloco de esquerda (populista ou progressista, conforme alguém preferirá afirmar) tem uma candidatura com extraordinária densidade eleitoral, mas vetada expressamente por todos os setores que promoveram o golpe de 2016. Aliás, o golpe foi dado principalmente contra a perspectiva de Lula reassumir o protagonismo na vida pública nacional, quando foi nomeado por Dilma ministro da Casa Civil e impedido de assumir o cargo por motivos que um bedel de faculdade de direito ou um meirinho do foro detectariam como inconstitucionais.

O marco zero do golpe, o momento em que cesarismo atravessou o rubicão tupiniquim, foi quando o juiz Sergio Moro liberou com exclusividade ao Jornal Nacional da Globo uma gravação ilegal de um telefonema de Dilma para Lula, em que ela dizia exatamente isso: que o tinha nomeado ministro. A gravação foi apresentada como prova de um delito inominável. Como se fosse crime nomear um ministro e comunicá-lo de sua nomeação. A comoção que a edição de tal gravação trouxe à comunidade incauta de telespectadores deixou a todos claro (inclusive aos intelectuais do PT) que não haveria mais volta. No golpe atual, não seria preciso um discurso na Central do Brasil como pretexto.

Lula é o símbolo máximo da visão de mundo contra a qual os golpistas lutam. Por isso, creio que, aconteça o que acontecer, Lula será impedido de concorrer. Os golpistas atuais querem seguir o caminho de Lacerda com maior precaução. Lacerda dizia acerca de Getúlio: ele não pode concorrer, se concorrer não pode ganhar, se ganhar não pode assumir, se assumir não pode governar. Getúlio concorreu e venceu, adiando aquele golpe de estado por uma década. Agora a coisa deve ser cortada pela raiz: Lula não pode concorrer. Afinal, isto é menos traumático do que simplesmente suspender a eleição.

E se não concorrer, poderá ele transferir sua força eleitoral para outrem como fez com a Dilma? Está ele ainda em condições de eleger um poste? Esta é uma das dúvidas importantes presentes no processo.

No lado da direita (fascista, conservadora ou liberal, como queira), há duas candidaturas realmente consideráveis. Bolsonaro e Alkmin. Um catalisa tudo que a política feita com o fígado é capaz de produzir e o outro representa a riqueza de São Paulo. Os cérebros mais aquinhoados do grupo sabem que teriam de abortar Bolsonaro para cimentar o caminho do governador paulista. Mas falta combinar com os bolsonaretes que já se lançaram e voo louco e de improvável volta.

Este é o imponderável na direita. Alckmin faz mais votos que Bolsonaro no primeiro turno? Se fizer, conseguirá trazer os magoados bolsonaretes para sua trilha? O dinheiro compra muita coisa, mas ainda não é capaz de comprar carisma eleitoral, coisa que falta ao homem de São Paulo.

Eis o dilema eleitoral do Brasil. Na prática, estamos entre o picolé de chuchu paulista e o poste apoiado por Lula. É pouco para o sonho de um país grandioso. Mas, é preciso admitir, ainda é melhor do que Temer ou a suspensão pura e simples das eleições.






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