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Cotrijui: réquiem para um gigante

Sergio Pires

04/02/2018 às 22:19h

Cotrijui: réquiem para um gigante

A decretação da liquidação judicial da Cotrijui certamente se constitui no ato final de uma etapa de aniquilamento de uma das instituições mais marcantes da história de Ijuí e região. Não havia, é o que se conclui pelas informações disponíveis, qualquer outra hipótese diferente. A Cotrijui já estava há algum tempo nocauteada em pé, bastando um sopro final para sua queda. Foi o que houve agora, com a decisão judicial pela liquidação.Mais do que lamentar o ocorrido, o adequado é compreender o porquê desse triste final, minimizar os prejuízos e, muito importante, apurar e punir responsabilidades havidas, sejam de natureza penal, sejam de natureza patrimonial.

 

Fala-se que muitas pessoas concorreram criminosamente ao longo do tempo para que houvesse este desfecho. Não só na última gestão, mas também nela. Espero que os órgãos de investigação tenham vontade de apurar essas responsabilidades (capacidade com certeza eles têm, uma vez reunidos a polícia federal, receita federal, ministério público federal, receita estadual, polícia estadual e ministério público estadual).

 

Que não fique nada sem explicação e sem responsabilização, até mesmo de alguns que agora fingem que não tem nada a ver com o acontecido. Inclusive o caso daquele personagem que, segundo se comenta nos bastidores, conseguiu a proeza de fazer com que um mesmo caminhão de sua propriedade conseguisse passar, pesar e creditar na balança da Cotrijuí duas cargas de produto agrícola no exíguo período de 5 minutos. Tomara que se consiga desembaraçar o patrimônio remanescente da cooperativa para que as atividades que eram exercidas na área da produção e da comercialização sejam retomadas por outras empresas. Já que aconteceu o pior, agora é hora de retomar, mesmo que em outras mãos, o máximo possível das atividades que a Cotrijui desempenhava.

 

Muita gente sairá desse episódio com prejuízo, em especial os produtores associados e empregados, pois, com certeza, o patrimônio restante não servirá para saldar todos os débitos. Alguma coisa retornará aos empregados, pois são credores privilegiados, mas os produtores são quirografários, ou seja, não tem garantia especial; apenas recebem se sobrar. E em casos como esse sempre falta patrimônio.
 Se serve de algum alento, fica pelo menos, a garantia aos associados de que não precisam arcar com nenhum outro recurso além do que eventualmente seja devido para a integralização das cotas subscritas da cooperativa. A Lei das cooperativas (Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971) dispensa o mero associado de honrar as dívidas finais da instituição quando de sua liquidação. Diferente é a situação dos dirigentes. Esses sim, terão de eventualmente devolver (art. 49 da mesma Lei) tudo o que irregularmente retiraram dos cofres da Cotrijui, bem como o prejuízo que causaram culposa ou dolosamente. Se isso ficar demonstrado em processo judicial regular, por óbvio.


A Justiça faz bem em acabar com a agonia do clima de incerteza. Agora se espera que ela cumpra o seu papel de apurar e punir os responsáveis pelos malfeitos. Sem caça às bruxas, apenas com a aplicação do que dispõe a lei civil e penal. Simplesmente justiça, essa é a maior homenagem que se pode prestar aos idealistas que sonharam e implementaram tão grande e importante empreendimento.






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