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O coronelismo da Havan e o complexo de Cajazeiras

Sergio Pires

24/02/2018 às 18:24h

O coronelismo da Havan e o complexo de Cajazeiras

Chega a ser repulsivo a maneira como algumas pessoas tratam o caso de um possível interesse da rede catarinense de lojas Havan em ter uma filial em Ijuí e a sua exigência, suposta ou explícita, de alteração da legislação local que regula a abertura do comércio aos domingos.

Não é de hoje o debate sobre o horário de abertura do comércio aos finais de semana e feriados, tanto na cidade de Ijuí como nas demais cidades do Estado e do País.

É natural que as partes diretamente envolvidas tenham posições antagônicas, pois para o empresário a flexibilidade traz possibilidade de lucro maior e a restrição de abertura dá ao trabalhador do comércio a condição de melhor lazer e convívio com a família.

Também é compreensível que o consumidor tenha em abstrato uma posição favorável à livre abertura do comércio em qualquer data, em qualquer horário. Que não gosta de comodidade? Nem poderia ser diferente. Imagine, que bom seria o médico do SUS vir à casa do paciente fazer um atendimento às 2h da madrugada de domingo... Mas as coisas não são bem assim, a vida em sociedade compõe-se de regras, limites, percalços. Não há lugar apenas para o “venha a nós o Vosso reino”!

Ijuí tem uma boa legislação regulando a matéria. Não é a melhor? Pode ser. Pode ser mudada? Claro que sim. A qualquer momento a legislação local pode ser mudada pelos vereadores, após maior ou menor discussão com a sociedade. Isso é da vida. Mas que não seja à ponta de faca, num afã desesperado, como se fosse tirar o pai da forca.

O que não é adequado, ao meu juízo, é a comunidade ijuiense se colocar em polvorosa para alterar a toque de caixa sua lei simplesmente porque um empreendedor estranho a nossa vivência, sobre o qual, inclusive, pairam muitas e significativas dúvidas, emitiu um juízo de opinião negativo.

Com certeza, os problemas do dono da Havan (o leitor vai constatar isso em breve) são bem mais complexos do que os óbices de Ijuí à abertura do comércio aos domingos. Aliás, se ele tivesse algum apreço, além da sanha incomensurável pelo lucro, aos locais onde empreende seus negócios, olharia com mais respeito as especificidades locais. Essa performance de predador e conquistador bárbaro poderá lhe render por algum tempo a exaltação dos neoliberais de periferia, mas não contribuirá para o seu sonho de construir um império. Registre-se que os romanos, que entendiam da matéria, cuidavam sempre de liberar os costumes locais após a conquista.

Mas o que em definitivo embrulha o estômago é o estado de excitação que alguns paroquianos apresentam ao bradar pelo interesse dessa gente estranha. Repete-se, em alguma medida, o mesmo louvor que alguns demostravam a Estácio de Sá, no passado recente. Que bom se tal estado de mobilização e entrega ocorresse também em defesa de nossas iniciativas autóctone históricas, como é o caso da Cotrijuí e da Imasa.

Que se libere o comércio. Que venha a Havan. Que isso tudo se transforme em realidade e não seja mais um engodo como foi o caso do “alemão do salame”. Palmas, sejamos cosmopolitas mesmo que ao preço da morte do pequeno e sofrido parque comercial e industrial de Ijuí.

Mas por favor, meninos, menos escarcéu ante os fortes empreendedores externos. Lembrem-se que ao girar a bolsete com muita ênfase pode-se render a munheca.






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