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A queda de Temer como alternativa real

Sergio Pires

04/06/2018 às 00:10h

A queda de Temer como alternativa real

 

 

A greve dos caminhoneiros acabou, mas nem de longe acabou a crise. As razões que a provocaram são múltiplas. Algumas específicas,  como as que constaram da pauta negociada por Temer,  e outras, de caráter geral, restam mais palpitantes do que nunca.

A queda de Parente da Presidência da Petrobras é uma tentativa quase desesperada do governo Temer de queimar o último anteparo antes que a carga chocante chegue até o Palácio do Planalto e fulmine definitivamente o dito presidente da República. Ele está por um fio. Fio desencapado e agora sem um dos últimos fusíveis.

A quem interessa a queda de Temer? Tirante mais de 80% da população comum que o quer bem longe do poder, ainda existem importantes interesses no segmento capaz de mover as placas tectônicas de Brasília que desapegaram de sua tétrica figura.

Raciocine comigo. O que restou da oposição institucional não lhe dará nenhum refresco até porque ele não tem nada para dar em troca numa eventual negociação. Ele hoje não é a figura principal e mais poderosa do bloco histórico que se formou com o golpe de 2016. Não serve como interlocutor.

O conjunto das forças que derrubaram Dilma está hoje preocupado com que virá em janeiro de 2019, por isso precisa fazer de tudo para “vencer” as eleições de outubro, seja por bem seja por mal. Então, desfazer-se desse cadáver incômodo que ocupa a presidência da República é o de menos, se isso contribuir para o propósito futuro de continuidade.

Muitos membros do judiciário e do ministério público não perdoam sua tentativa de aprovar uma reforma previdenciária que claramente os prejudicava. Por muito menos, eles juraram Dilma de morte (esta vetou afrontosamente um aumento remuneratório que haviam negociado com o Congresso). Talvez a Raquel Dodge não seja garantia suficiente para ele evitar a terceira denúncia ante o STF. Se a denúncia sair do papel, ele cai com certeza, pois os deputados, desta vez, não afrontarão os eleitores às vésperas das eleições.

Até porque há um último e mais importante motivo para sua defenestração. Sua queda e consequente prisão (ou fuga para o exterior, porque, sinceramente, acho que ele ainda deve sonhar com um exílio dourando com dona Marcela) podem servir de argumentos para tentativa de legitimação da prisão de Lula perante o povo brasileiro e, principalmente, perante a opinião pública internacional.

Do jeito que vai a coisa, logo começarão os questionamentos acerca do tipo de democracia praticada no Brasil, onde o principal e eleitoralmente mais forte candidato de oposição é mantido preso e impedido de disputar as eleições. Os chatos dos países desenvolvidos logo dirão que vale para o Brasil o mesmo que para a Venezuela, Turquia e Rússia. Com sua queda, os ideólogos do golpe poderão apresentar Temer como álibi, como argumento de que a brasileira é igual para todos etc. etc.

Nessa hipótese, ele ainda terá alguma serventia para seus parceiros durante o processo eleitoral. Depois, como ele evidentemente não é reciclável, irá direto para o lixo comum da história.

 

 






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