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Apenas um jogo

Sergio Pires

14/07/2018 às 18:54h

Apenas um jogo

A Copa do Mundo da Rússia chegou ao fim. No momento em que escrevo ainda não se realizou a partida entre França e Croácia, mas o resultado no nosso caso pouco importa, embora existam simpatias disseminadas em todo o planeta por ou uma ou outra das finalistas. O espetáculo por si só é o que mais vale.

 

Particularmente, como a maior parte dos brasileiros, torço pela Croácia mesmo sabendo do favoritismo francês. Se a França ganhar, triunfará a lógica do futebol, pois trata-se de um time com mais opções qualificadas em seu plantel e que, circunstancialmente, goza de melhores condições atléticas por não ter jogado as três prorrogações seguidas como o time adversário.

 

Se a Croácia ganhar, triunfará o romantismo futebolístico que acredita no empenho dos jogadores, dirigentes e torcida como capaz de superar todos os obstáculos. Óbvio, a Croácia não chegou à final apenas pela dedicação, mas também porque tem excelentes jogadores, a começar por Luka Modric´, um meia-armador clássico que hoje é melhor do mundo na posição. Mas, no cômputo, geral é inegável que a França tem jogadores mais qualificados, bem preparados técnica e fisicamente.

 

Ganhe quem ganhar, os problemas do mundo continuarão os mesmos. Mas o esporte é uma dimensão da vida bastante significativa desde o mundo antigo. Embora o futebol seja um esporte contemporâneo, as disputas esportivas foram cultuadas praticamente por toda a história da humanidade. Servem de exemplo os jogos olímpicos gregos.

 

Na atualidade, o futebol é um fator de promoção e comprovação da globalização da vida. As cenas mostradas por reportagem da TV Globo de grupos de torcedores da seleção brasileira em Bangladesh, um longínquo país, populoso e pobre, incrustrado no continente asiático como anteparo entre Índia e Myanmar, são demonstrativas da transformação do planeta na dita aldeia global.

 

Porém, reitere-se, antes de tudo, o futebol é um entretenimento.  Pelo lugar de destaque que ocupa na vida recente merece análises políticas, sociológicas e até filosóficas. Mas não passa disso. Então, calma, nem a vitória da Croácia vai ressuscitar Hitler e seus nazistas do leste europeu nem a vitória da França trará Napoleão de volta a Moscou.

 

Sabemos bem disso, pois nem os mil gols de Pelé redimiram os brasileiros. Ele e todos os demais atletas virtuosos da bola merecem admiração e respeito, mas nada de considerá-los deuses ou heróis. São somente atletas. O Neymar é apenas um atleta, um jogador de futebol.  Não foi, não é, não será um herói de pessoas maduras racionalmente.  

 

O que não deve servir como desencanto. Afinal, lembre-se do que Bertolt Brecht pôs na boca de seu personagem Galileu Galilei: Infeliz do povo que precisa de heróis.

 






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