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A Nova Ordem

Sergio Pires

21/08/2018 às 20:47h

A Nova Ordem

A historia é algo em permanente construção, como ensinou magistralmente Walter Benjamin, um atormentado filósofo da denominada Escola de Frankfurt, um grupo de estudiosos alemães neomarxistas da época da República de Weimar. Não existe o passado em si, mas versões sobre o ocorrido. A eventualidade de uma delas se sobressair sobre as demais depende tão-somente do resultado momentâneo da luta de classes.

Claro está, portanto, que a versão ora aceita pela população brasileira da derrubada de Dilma Rousseff da Presidência da República em agosto de 2016 é provisória e precária. O establishment apregoa que ela caiu por erros políticos-jurídicos justificantes do afastamento. Assim, a assunção de Temer e seus afetos é algo normal na vida de um país em que as instituições estejam funcionando com normalidade.

Por enquanto tal versão é majoritária mas nem sequer chega a ser hegemônica, pois desde o momento inicial houve a denúncia de que o impeachment de Dilma atende às necessidades do capital financeiro internacional que conta com arautos brasileiros variados, sendo que os principais são os líderes conservadores detentores de cargos eletivos, os barões da mídia e o circuito repressivo estatal formado pelo judiciário, o ministério público e a polícia federal. Esses últimos foram em grande medida captados para o projeto por inquietações ou interesses típicos do estamento pequeno-burguês.

Marco Aurélio Garcia, um dos teóricos mais importantes do PT, falecido no ano passado, em uma das últimas intervenções reflexivas que fez em evento em Porto Alegre, referiu-se ao projeto do grupo que promoveu o golpe contra Dilma. Disse ele que se trata de algo bem mais abrangente do que apenas um novo governo, uma nova orientação política e econômica. O sonho dos operadores internos da nova ordem mundial projetada para o Brasil pelas grandes corporações é refundar a sociedade brasileira.

Tais contornos desta nova ordem ficaram evidentes na manifestação que assisti no dia 14 deste mês, novamente na capital gaúcha, do presidente da 8ª Turma do TRF4, o desembargador Leandro Paulsen. A partir do singelo tema “o compromisso de dizer a verdade”, o bom-menino do novo direito penal traçou para uma plateia de juristas estarrecedoras hipóteses de mudança da jurisprudência nacional no sentido de, superando garantias clássicas da era moderna, em nosso caso inseridas no caput do art. 5º da Constituição, trazer para o direito as verdades da moral e da religião.  

Enfim, a versão da nova ordem está delineada com clareza. Só falta combinar com o povo brasileiro que apresentará sua primeira versão formal dos fatos bem logo, no segundo domingo do mês de outubro.






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