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Nós vamos prosseguir, companheiro, medo não há*

Sergio Pires

01/11/2018 às 23:28h

Nós vamos prosseguir, companheiro, medo não há*

O resultado da eleição presidencial não apresentou surpresa. Desde que foi inviabilizada a candidatura de Lula por decisões duvidosas do judiciário, em especial do juiz federal Sergio Moro, tinha-se como quase impossível a vitória de um candidato de esquerda. No mesmo sentido, desde que Bolsonaro foi atingido por uma facada em plena campanha, tinha-se também a sua vitória como muito provável.


A luta de Haddad e de seus apoiadores merece consideração pois enfrentaram quiçá o cenário mais difícil para uma candidatura ligada ao campo popular, desde que as eleições tornaram-se reconhecidas como democráticas, algo que somente aconteceu no pais a partir da Constituição de 1946. Em verdade, a disputa Bolsonaro-Haddad é apenas a 12ª eleição presidencial que se conforma com razoabilidade às exigências internacionais para a designação de “eleições livres.”


Sim. Não tem como negar. Bolsonaro ganhou no voto e ganhou bem. Em torno de 11 milhões de votos de diferença, obteve em mais de 55% dos votos válidos. Legitimou por enquanto o seu nome como presidente e as propostas de seu, digamos assim, plano de governo. Eventuais pendências do processo eleitoral, e elas existem em profusão, poderão produzir sanções e correções de rumo, mas não são manejáveis contra o produto máximo da soberania popular brasileira, a escolha clara e inequívoca do chefe de Estado e de Governo.


Portanto, a questão agora se transfere para outro patamar de disputa. A luta pela implementação das políticas governamentais. Haverá o governo Bolsonaro. E haverá oposição. O próprio governo dificilmente será uno, quanto mais a oposição, que de imediato sofre o óbvio golpe da derrota. Vai victis, ai dos vencidos, dizia um antigo ditado romano. Sim, talvez alguns terão de pagar o seu peso em dor, já que aqui não há ouro como havia na lenda romana. Mas como não há prazer que dure para sempre, também não há dor que seja eterna.  Cedo ou tarde os vitoriosos de agora serão derrotados.


Pretendo cerrar fileiras com a oposição que se apresentar com racionalidade. Sem ilusões, mas sem alarmismo. A vida é dura, mas ainda é vida. Fortes emoções são más conselheiras políticas tanto quanto a ira e a violência. É hora de disputar nas ruas, nos ambientes públicos e privados, nas mentes e em toda a geografia significante de cada brasileiro cada medida que o novo governo pretender impor à racionalidade da Constituição de 88, único ente que realmente está em termos políticos e governamentais acima de todos nós brasileiros.


A adrenalina dos últimos dias eleitorais semeou muitos sentimentos apaixonantes no cenário. Há raiva, alívio, vingança, regozijo, desespero, ódio e medo pulsando no ar. Afinal não somos máquinas. Mas, nossa razão é feita do mesmo material de nossas emoções.


A razão dá coragem para prosseguir. Coragem traz esperança. E ela nunca morre. Lembrando a fala recorrente daquele personagem incrível de Moacyr Scliar, ironicamente também um capitão, Birobidjan: Amigos, iniciamos neste momento a construção de uma nova sociedade.


*Verso da canção semeadura de Vitor Ramil






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