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Aprendizagem vem pelo afeto, diz psicopedagoga

Postado em 13/07/2018

Os dois primeiros anos de vida são cruciais para o desenvolvimento psicomotor das crianças, que nada mais é do que a relação entre o processo de maturação sistema nervoso, integrado as funções motoras e psíquicas, no qual o corpo é a origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas e sustentado por três conhecimentos básicos: O movimento, o intelecto e o afeto.

Logo ao nascer a criança é exposta a uma série de estímulos novos, experimentando sensações como o tato, o frio e o calor e o desconforto da fome.Todas essas mudanças vivenciadas pelo bebê os leva a uma busca constante de superação das dificuldades que se apresentam, e a uma adaptação do cérebro que permite a evolução da inteligência, da comunicação, da afetividade, da sociabilidade e da aprendizagem de forma global simultânea. 

Neste curto espaço de dois anos, a criança firma a cabeça, rola, senta, se arrasta de barriga no chão, engatinha, fica de pé, caminha, corre.  A estranha fala dos adultos aos poucos começam a fazer sentido, e as primeiras palavras surgem que logo se tornam frases. E desta forma, aos poucos o bebê vai ganhando autonomia e começa a virar criança. 

Nesse processo os pais acabam se tornando mentores do mundo que o cerca, ajudando-os no seu desenvolvimento através de estímulos advindos de conversas e brincadeiras. Para a psicopedagoga, Carla Fiorim Comerlato, quando nasce um bebê, são os pais ou qualquer outra pessoa que exerça a função de cuidador, que o insere no mundo simbólico da comunicação, fazendo-o entender qual seu significado no mundo. Por isso, é tão importante utilizar a linguagem afetiva na formação deste ser.

"Sem a comunicação, o bebê é somente um ser perdido no mundo. Somente a partir do contato, da fala, dos mimos e carinhos passados ao pequeno ser, é que ele irá se constituir como sujeito e formar sua personalidade. A partir dessa comunicação, sendo ela de forma afetuosa, poderá formar uma personalidade saudável, visto que somente através do recebimento do amor há a possibilidade de aprender sobre o mesmo, e assim poder repeti-lo," destaca.

Em nenhuma outra fase da vida o ser humano cresce e aprende tanto, quanto neste período.  Com apenas seis meses já possuem um décimo do nosso tamanho, no primeiro ano o peso corporal triplica e o cérebro cresce 50% do que crescerá ao longo de toda infância. E de acordo com pesquisas recentes, os bebês possuem um entendimento sobre o mundo que o cerca muito maior do que conseguem expressar.

Todo esse crescimento exige uma quantidade enorme de energia. Portanto, é natural que uma criança não pare o dia inteiro, quanto maior a bagunça, maiores são a experiências vividas por ela e assim o seu aprendizado. Neste sentido, conforme  Carla, é de fundamental  importância para a criança promover a construção da sua própria identidade e autoimagem, mediante o conhecimento do seu corpo, desenvolvendo assim capacidades motoras básicas através das brincadeiras, ter noção de cuidados com o seu corpo, adotando hábitos de higiene, familiarizando-se principalmente com sua imagem, descobrindo e reconhecendo as sensações que o seu corpo produz, seus movimentos, suas possibilidades e limites.

"É essencial que ela vivencie diferenciadas sensações, percepções, emoções, para que possa descobrir suas possibilidades e assim ampliar suas linguagens: corporal, gestual e oral, expressando-se de diversas formas na sua relação com adultos e outras crianças. Assim, a criança irá gradativamente incorporar essas vivências e tomar consciência de seu corpo. Com tanta energia, é importante que os pais forneçam essas possibilidades de brincadeiras e não somente aquelas em que se usem os dedos nas telas brilhantes," comenta.

 A psicopedagoga salienta que no momento em que as crianças aprendem a se relacionar, começam a adquirir entendimento sobre o certo e o errado, e que vem em decorrência das suas vivencias, seguindo atitudes tomadas pelos adultos de sua convivência.
"Poderíamos dizer que o mais importante seria falarmos sobre o comportamento daqueles que as rodeiam. Um exemplo disso está na situação em que se pede para a criança sentar-se à mesa para a refeição e comer sem interrupções, porém neste mesmo tempo há um adulto que está concentrado com seus dedos na tela brilhante do celular," alega.

Ela argumenta que o exemplo do que é certo ou errado tem maior função educadora do que impor regras que as crianças não percebem acontecer em seu meio, pois, elas são o que vivenciam.

Com tantas mudanças,  muitos pais ficam ansiosos, esperando que as coisas aconteçam logo. De acordo com especialistas, manter a calma e não criar expectativas é muito importante para evitar frustrações e pressão para a criança. 

Segundo Carla, os laços familiares são fundamentais para que a criança obtenha uma aprendizagem bem sucedida. “O sentimento de segurança é essencial para que a criança desenvolva a inteligência emocional, a qual só é possível através de laços cognitivos com as pessoas que ela ama”, finaliza.


Jornal HoraH